O conhecimento e a necessidade de ler o rótulo de uma cachaça 

Por Alexandre Bertin, mestre em destilados e proprietário do Alambique Cachaça Sapucaia  

Por trás da constante boa vontade das pessoas em geral em falar bem de nossos “valores nacionais”, como é o caso da cachaça, surge uma questão que passa sempre despercebida por praticamente cem por cento do público.  

O que seria isso, visto que já estamos todos aqui com a maior boa vontade em reforçar positivamente nossos valores nacionais, entre eles a nossa tão querida cachaça? Não só quando falamos da bebida, mas também em outros assuntos, temos essa pergunta fundamental e importante a ser respondida. Você realmente sabe do que está falando?  

Quando se fala em “samba”, por exemplo, você sabe algo sobre o assunto? Tem profundidade, ou samba é apenas aquele da avenida, em fevereiro?  

Quando falamos em cachaça, precisamos entender mais sobre o que realmente é esse universo, pois constantemente permanecemos numa superficialidade perigosa sobre o que realmente seja essa bebida. Essa falta de profundidade facilita o uso de fake news sobre o assunto. A cachaça é um produto como qualquer outro e está regulamentada por lei, sendo essa regulamentação representada no rótulo do produto. Precisamos entendê-lo para evitar gafes absurdas que vemos com frequência.  

Vou tentar ser didático, apresentando poucos tópicos (que não abrangem a totalidade do assunto) e de maneira muito resumida para não tornar a leitura cansativa. Servirão mais para chamar a sua atenção sobre essa necessidade. 

Este produto é duramente fiscalizado pelo governo, sendo necessários vários registros, entre eles o MAPA que é visto no verso do rótulo, com um número. Se não tiver, já sabe… 

A palavra “ARTESANAL” não pode aparecer no rótulo. Se por acaso ver isso, significa que o produto não está dentro da lei e provavelmente não tem registro no Ministério da Agricultura (MAPA). 

Temos “tipos” de cachaça, que devem estar claramente descritos no rótulo: cachaça adoçada, que contém açúcar, cachaça envelhecida – aquela que ficou 1 ano em barril de madeira menor que 700 litros, e ainda outras “regrinhas” que vou deixar de mencionar aqui. 

Não existe “cachaça de banana” ou “cachaça de jabuticaba”. Existe licor de banana, bebida mista de banana ou ainda aguardente composta com banana.  

A cor amarelada é conferida pela madeira. Se for por adição de corante, deve ser mencionado nos ingredientes e pode ainda ser que esse produto seja uma “aguardente composta” e não uma “cachaça”. E se a cor for da madeira, após 1 ano no barril menor que 700 litros, pode-se colocar “cachaça envelhecida” no rótulo.  

Outro item interessante de saber é que aquele selo na tampa, semelhante aos selos dos cigarros, é obrigatório para quase todos os produtores, exceto alguns muito grandes que são fiscalizados pela Receita Federal de outra forma. Mas 99% das garrafas têm que ter aquele selo na tampa. 

Enfim, este é apenas um aperitivo sobre os detalhes que você pode imediatamente observar ao pegar uma garrafa de cachaça (ou não) na mão.  

Leia o rótulo!! 


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