Todo ponto de vista é a vista de um ponto! Por João Lucon

Todo ponto de vista é a vista de um ponto! Por João Lucon

Eu disse ado-a-ado!
Cada um no seu quadrado!
Ado-a-ado!
Cada um no seu quadrado! 
(Sharon Axé Moi, 2007) 


Mesmo que exista um consenso contrário ao modelo cívico-militar entre especialistas e educadores que se debruçam sobre o tema, é assombroso que a ideia tenha simpatia de muitas famílias e até de alguns educadores.  

Assombroso, mas perfeitamente simples de compreender: com grandes dificuldades de garantir um suporte educacional adequado no ambiente doméstico e diante de um panorama cada vez mais grave de violência e Fake News, alguns pais e responsáveis acreditam que a escola necessita de mais rigor. Na outra ponta da cadeia educacional, alguns educadores submetidos a classes abarrotadas sem quaisquer condições estruturais mínimas para a realização do seu trabalho, crêem que um modelo disciplinar mais rígido e punitivo facilitaria-lhes a vida. 

Entretanto muitos pais e educadores não percebem que a presença de organizações militares no âmbito escolar influencia as instituições de ensino público com outro tipo de cultura organizacional, com outros valores, contrariando o que se espera de uma educação que emancipa para a cidadania atual. 

As instituições de ensino público existem para ampliar horizontes, oportunizar experimentações, incentivar questionamentos, estimular a criatividade, o pensamento crítico e reflexivo. As organizações militares são responsáveis pela garantia da ordem e segurança pública. 

As discussões contemporâneas sobre competências e habilidades  profissionais questionam a própria noção de eficiência como norma, assim como a estrutura  das relações de trabalho e das organizações: não basta seguir a cartilha, cumprir determinações, obedecer – é necessário mais ousadia e criatividade –  não porque é bom ou bonito, mas porque é fundamental para a sua sobrevivência neste período de transformação tecnológica e transição verde. 

As escolas públicas mais seguras pautam-se pela gestão democrática e participativa, que permite a verdadeira exposição dos variados contextos de cada comunidade, proporcionando diálogos de maneira livre, responsável e que permita  a manifestação de ideais, crenças, argumentos, corpos e sentimentos de todos os atores envolvidos no processo. O cumprimento das regras precisa ser conquistado através da adesão consciente, e não pelo temor.  

A via de acesso para uma sociedade conectada a transição verde e a transformação tecnológica é outra.  Professores de Ciências Humanas e Linguagens promovem o desenvolvimento das potências criativas, de cooperação, bem como as noções de limites e possibilidades individuais e coletivas, constroem alicerce robusto para o desenvolvimento do pensamento crítico e lúcido sobre sociedade, país, nação e pátria. Professores de Ciências da Natureza fomentam a curiosidade, o pensamento analítico e ensinam que a incerteza e o erro fazem parte da construção do conhecimento. 

A escola pública deve continuar garantindo a formação humana do educando, sendo local de práticas regulares de vivências, equidade, inclusão e socialização, assegurando aos estudantes a formação indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. Qual é o modelo educacional que nos  permitirá sobreviver a este período de transformações sociais, ambientais, econômicas e tecnológicas nunca vistas anteriormente? 

João Lucon, Educador , Diretor Escolar, Cidadão,Budista, Maratonista, Triatleta, onívoro, usa combustível renovável e recicla. #amudancacomeca 

@joaolucon 


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