“Censura na Câmara Municipal: Um Ataque à Democracia”

 Por Odirley Montesino

 
Em meio à era digital, onde as redes sociais se tornaram o novo palco para o exercício da liberdade de expressão, é alarmante testemunhar atos de censura perpetrados por aqueles que deveriam ser os guardiões da democracia. Recentemente, o Presidente da Câmara Municipal de Pirassununga, Vitor Naressi, do Partido Liberal (PL), protagonizou um episódio que lança uma sombra sobre os alicerces democráticos ao desativar os comentários do chat da página do YouTube da Câmara Municipal.
É uma ironia cruel que um representante eleito pela vontade popular, supostamente comprometido com os princípios democráticos, tenha agido de forma tão autoritária. Restringir a capacidade dos cidadãos de se manifestarem durante as sessões camarárias é uma medida que vai contra os princípios democráticos que todos devemos defender.
Além do mais, o Presidente da Câmara age de maneira conflitante com aquilo que ele mesmo prega em seus discursos, inclusive, recentemente esteve presente em manifestações pela liberdade de expressão. Ao posicionar-se contra supostas violações à liberdade de expressão por parte do STF, Naressi revela-se como um oportunista político, disposto a abraçar o discurso da liberdade apenas quando lhe convém. Sua atitude contraditória denuncia não apenas sua falta de coerência, mas também sua disposição em sacrificar os direitos democráticos em prol de seus interesses pessoais, utilizando, ainda, os meios institucionais para consolidar seu poder e silenciar qualquer forma de oposição, conduta vista apenas em regimes totalitários.
Ao silenciar as vozes dissidentes, corremos o risco de criar um ambiente onde apenas um ponto de vista prevalece, o que é prejudicial para o processo democrático como um todo. Portanto, é fundamental que todas as opiniões sejam ouvidas e respeitadas, mesmo que discordemos delas. Por isso, ao invés de desativar os comentários, o Presidente da Câmara poderia ser mais construtivo encontrando maneiras de promover um diálogo aberto e respeitoso entre os cidadãos durante as transmissões das sessões camarárias.
A verdadeira democracia exige não apenas o respeito à diversidade de opiniões, mas também a garantia de que todas as vozes sejam ouvidas. Como cidadãos, é nosso dever defender a liberdade de expressão em todas as suas formas e resistir àqueles que buscam restringi-la.
Porém, vale ressaltar que a defesa da liberdade de expressão não implica tolerância com o cometimento de crimes ou agressões. A liberdade de expressão é um direito fundamental, mas não é absoluto. A incitação ao ódio, a propagação de informações falsas e a difamação são exemplos de abusos que não podem ser protegidos sob o pretexto da liberdade de expressão. Aqueles que cometem tais crimes devem ser responsabilizados conforme a lei.
A democracia só pode prosperar quando garantimos que todas as vozes sejam ouvidas e respeitadas. Como cidadãos, devemos permanecer vigilantes na proteção desse direito fundamental, pois é a essência de uma verdadeira Politéia.


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