Caipirinha e a confusão na sua composição

Por Alexandre Bertin, especialista em destilados e proprietário do Alambique Cachaça Sapucaia

A caipirinha é uma bebida icônica que praticamente representa o Brasil. É popular e descontraída, presente em todo tipo de festas e eventos, independentemente do local, sempre é possível pedir uma caipirinha. No entanto, existe uma confusão persistente e interminável sobre sua composição, algo que deveríamos ter superado há muito tempo.
Como brasileiros, permitimos uma flexibilização excessiva dessa composição. Enquanto em outros drinks, como o Dry Martini ou o Negroni, as variações são reconhecidas e comunicadas devidamente. Essas definições muitas vezes incluem até o tipo de copo ou taça em que o drink deve ser servido.
Já na caipirinha parece haver uma falta de clareza.
A definição oficial de caipirinha é estabelecida no Decreto nº 2.314, de 4 de setembro de 1997. Segundo o decreto, a caipirinha é uma bebida típica brasileira, com graduação alcoólica de quinze a trinta e seis por cento em volume, a vinte graus Celsius, obtida exclusivamente com Cachaça, acrescida de limão e açúcar.
É crucial tambem entender o que é Cachaça, já que muitas pessoas infelizmente a confundem com outros destilados. Assim, variações desse destilado não podem ser consideradas “caipirinha”. No entanto, é válido reconhecer que variações com outras frutas são amplamente consumidas e bem aceitas.
Por isso, devemos estabelecer limites. Há uma pressão significativa por parte de fabricantes de outros destilados para substituir a cachaça na caipirinha, utilizando vodka, sake, rum e diversos outros produtos. Isso representa um desvio além do razoável, visto que a caipirinha é o principal drink que temos atualmente para que as pessoas conheçam a cachaça.
Substituir a cachaça na caipirinha, em minha humilde opinião, não é aceitável, mesmo com uma variação no nome do drink. Isso simplesmente resulta em uma cópia da caipirinha com outro destilado. Mudanças devem ocorrer na receita como um todo, e não apenas no destilado.
Vale ressaltar que essa posição não é motivada por que sou produtor de cachaça, mas sim pelo compromisso com a alta qualidade da coquetelaria, visto que por aqui fabricamos também gin, vodka, rum e sake. Considero essa mudança um atentado à nossa riqueza cultural e à nossa diversidade gastronômica.
Como mencionado, a caipirinha leva o nome do Brasil e, dentro de limites razoáveis, ao ser flexibilizada com outras frutas, leva também outros ingredientes brasileiros para todos os cantos do país e do mundo.
Respeitar a tradição da caipirinha feita com cachaça é essencial para preservar nossa identidade cultural e nossa tradição na arte da coquetelaria.
Vamos respeitar.


É expressamente proibida a reprodução parcial ou integral de qualquer artigo ou matéria sem a devida autorização por escrito do Agora Região. Em caso de descumprimento todas as medidas judiciais cabíveis serão tomadas.

®


 

® Proibida a Reprodução sem a devida autorização!!!