Santa Casa: Desafios e Perspectivas na Saúde Municipal

A comunidade volta a se preocupar com a possibilidade de fechamento ou suspensão dos serviços na Santa Casa. Mesmo sob intervenção municipal, o único hospital da cidade enfrenta dificuldades para receber os repasses necessários. Segundo a Prefeitura, a entidade está impedida de receber recursos públicos devido a falhas nas prestações de contas anteriores, resultando na necessidade de devolver cerca de R$ 180 mil ao erário. A Santa Casa tentou negociar esses valores com o município através da prestação de serviços, porém, sem sucesso.
Essa situação levou novamente à redução do atendimento, devido à falta de pagamento de salários aos médicos. Além disso, o Diretor Clínico solicitou a paralisação imediata da UTI, citando falta de medicamentos e condições adequadas de atendimento. Após uma promessa de repasse feita pelo município, o atendimento foi normalizado.
É evidente que esse expediente foi utilizado para pressionar a municipalidade a cumprir com suas obrigações financeiras, mas isso ignora o sofrimento da população. Além disso, a crise entre a Santa Casa e a Prefeitura vem sendo extremamente politizada, ao ponto do Diretor do Corpo Clínico, em selfie tirada dentro do nosocômio e aos risos, manifestar predileção por um vereador que é ligado ao seu partido político, conduta inapropriada para o momento.
Diante disso, surge a possibilidade de contratar uma Organização Social (OS) para gerenciar o hospital. Embora particularmente este colunista não seja simpático à solução apresentada, as opções à mesa, nesse momento, também não me animam. Ante a falta de resultados satisfatórios da intervenção atual, aliada ao seu uso político e à falta de uma Irmandade organizada e competente, tornando o futuro do hospital incerto.
Uma solução a médio prazo seria criar um Pronto Socorro Municipal, seguido, talvez, pela construção de um hospital municipal. No entanto, isso requer planejamento, algo que tem faltado na política local.
Em todo caso, é essencial que as decisões e ações tomadas visem exclusivamente a melhoria do sistema de saúde e o atendimento digno à população, deixando de lado agendas políticas pessoais.
Em uma situação onde vidas estão em jogo, a politização da saúde não pode ser maior que as políticas de saúde. A saúde não pode ser refém de interesses partidários, mas sim beneficiar-se de uma abordagem colaborativa e centrada no bem comum. Somente assim, poderemos verdadeiramente avançar em direção a uma saúde pública eficaz e acessível para todos.
A politização da saúde na questão da Santa Casa representa um desvio perigoso de foco, onde os interesses partidários eclipsam o bem-estar e a segurança dos cidadãos. Em meio às incertezas do cenário atual, é hora de pensar além das disputas políticas e agir em prol do interesse coletivo.
Nesse contexto de desafios, a politéia local necessita urgentemente de ações concretas e colaborativas para garantir o acesso à saúde de qualidade para todos.

Odirley Montesino


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