Afinal de contas, cultura pra quê? 

Deise Lozano Caleidoscópio

Deise Lozano Caleidoscópio

Nos corredores do poder público, a cultura muitas vezes é relegada ao papel de mero adereço, uma peça decorativa em meio às prioridades da gestão. Contudo, ignorar o potencial econômico intrínseco ao setor cultural é um erro crasso que os gestores públicos frequentemente cometem, negligenciando uma fonte de crescimento e prosperidade para suas comunidades. Daí a necessidade de exploraremos a importância da economia criativa e do turismo sustentável para o desenvolvimento econômico, enquanto destacamos a necessidade urgente de investimentos nesta área frequentemente subestimada.
A economia criativa é um pilar fundamental para o desenvolvimento econômico de uma nação. Ela abrange uma ampla gama de setores, incluindo artes visuais, música, cinema, literatura, design, moda e muito mais. Mais do que simples entretenimento, a economia criativa é um motor de inovação, crescimento e diversificação econômica. Países que reconhecem e fomentam suas indústrias culturais tendem a prosperar em termos econômicos, aproveitando não apenas o potencial de exportação de bens culturais, mas também os benefícios intangíveis de uma sociedade culturalmente rica e vibrante.
Infelizmente, muitos gestores públicos ainda não internalizaram essa realidade. A falta de compreensão sobre a interseção entre cultura e economia é evidente em orçamentos governamentais que subfinanciam ou cortam recursos para instituições culturais, programas educacionais e projetos criativos. Esta negligência, perpetua um ciclo prejudicial de estagnação econômica e empobrecimento cultural, privando as comunidades de oportunidades de crescimento e inovação.
É importante aqui, diferenciar os altos investimentos públicos na realização de eventos e atividades que proporcionam de entretenimento e prazer momentâneo, muitas vezes desvinculados de um contexto mais amplo de expressão cultural e significado histórico, que embora classificados como “eventos culturais”, servem apenas e em grande escala para o apagamento cultural, para a distração e engodo da população. Por outro lado, a produção cultural propriamente dita abrange a criação e disseminação de obras de arte, música, literatura, cinema e outras formas de expressão que transcendem o mero entretenimento, buscando transmitir ideias, valores e reflexões sobre a sociedade e a condição humana. Esta produção cultural é frequentemente o resultado de esforços criativos deliberados, envolvendo artistas, escritores, cineastas e outros profissionais dedicados à expressão e preservação da identidade cultural de uma comunidade ou nação. Embora ambas as esferas possam coexistir e se influenciar mutuamente, é importante reconhecer a distinção entre o efêmero e o duradouro, entre o entretenimento superficial e a expressão cultural significativa.
O turismo cultural
Estudos demonstram consistentemente que cada Real investido no setor cultural retorna múltiplos benefícios econômicos e sociais. Desde a geração de empregos até o estímulo ao turismo, passando pelo desenvolvimento de competências criativas e pela promoção da coesão social, os dividendos do investimento cultural são vastos e duradouros.
Além disso, a relação entre o turismo sustentável e o setor cultural é inegável. As viagens motivadas pela cultura estão entre as formas mais significativas e sustentáveis de turismo. Visitantes que buscam experiências autênticas e enriquecedoras muitas vezes são atraídos por destinos que valorizam e preservam sua herança cultural única. Portanto, investir na promoção e conservação do patrimônio cultural não apenas enriquece a experiência do turista, mas também impulsiona a economia local, gerando empregos e estimulando o desenvolvimento de infraestrutura turística.
Aqui reside uma oportunidade imperdível para os gestores públicos: alavancar o potencial do turismo cultural como um motor de crescimento econômico sustentável. Ao investir na preservação de monumentos históricos, na promoção de festivais culturais, na capacitação de artistas locais e na criação de roteiros turísticos autênticos, os governos podem transformar seus destinos em ímãs para visitantes nacionais e estrangeiros, gerando receitas e impulsionando o desenvolvimento de comunidades inteiras, desde que se atente para a necessidade do equilíbrio delicado entre prosperidade econômica, preservação ambiental e respeito pelas comunidades locais.
Em suma, a cultura não é um luxo dispensável, como querem fazer parecer, todos aqueles que sabem, tratar-se de uma das mais poderosas ferramentas de transformação social, mas sim um motor vital para o desenvolvimento, em todos os seus aspectos. A fórmula é bem simples: reconhecer a importância estratégica da economia criativa e do turismo sustentável, investindo de forma decisiva e visionária nessas áreas. Somente assim poderemos colher os frutos de uma sociedade mais próspera, criativa e culturalmente rica, onde o desenvolvimento econômico caminha de mãos dadas com a preservação do nosso patrimônio mais precioso: nossa identidade cultural.

Deise Lozano


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