Entre Passos e Genes: A Dança como Expressão e Resgate da Identidade Nacional

Na vastidão do mundo globalizado, a dança emerge como uma expressão poderosa e resiliente, desafiando o
apagamento cultural e a hegemonia eurocêntrica que há séculos tentam dominar a diversidade e a riqueza das
tradições globais. Ao traçarmos os passos da história, percebemos como a dança não apenas reflete, mas
também molda as identidades culturais, oferecendo um meio de resistência contra a uniformidade cultural
imposta.
Em um cenário onde as tradições locais muitas vezes são marginalizadas ou subjugadas, a dança atua como
portadora de identidade, preservando e transmitindo a riqueza da nossa diversidade. Cada movimento, ritmo e
gesto conta uma história única, carregando na corporeidade, a herança de gerações passadas.
Entenda-se por corporeidade a maneira pela qual o cérebro reconhece e utiliza o corpo como instrumento
relacional com o mundo. É um receptáculo da memória genética, carregando consigo as experiências
acumuladas ao longo das eras. Cada célula do corpo contém informações genéticas que conectam os indivíduos
às suas raízes ancestrais. Essa memória genética influencia não apenas as características físicas, mas também
desempenha um papel na predisposição para determinadas formas de expressão, incluindo a dança. A
transmissão de padrões de movimento e ritmo pode, de certa forma, ser influenciada pela herança genética.
Ao mergulhar nas profundezas da corporeidade humana, a dança revela uma conexão notável com a memória
genética, formando uma tríade intrincada que transcende o espaço e o tempo. A interseção desses elementos
proporciona uma experiência única, onde a expressão cultural se entrelaça com a história biológica, moldando a
forma como compreendemos o mundo e perpetuamos nossa identidade. O corpo se torna uma tela viva, onde a
cultura é pintada através de movimentos coreografados, preservando tradições e transmitindo conhecimentos de
geração em geração.
Dançar é atravessar a ponte, conectando a corporeidade com a memória genética de maneiras profundas e
significativas. Quando uma comunidade dança, ela não apenas expressa sua identidade cultural no presente,
mas também incorpora movimentos que remontam às suas origens. Os movimentos tornam-se uma forma de
reconectar e reafirmar os laços com as gerações passadas, permitindo que a memória genética seja expressa de
maneira artística e simbólica.
Essa ressonância é evidente na transmissão intergeracional desses elementos. À medida que os mais jovens
aprendem os passos e movimentos tradicionais, estão não apenas absorvendo uma forma de expressão cultural,
mas também internalizando a memória genética que está codificada nesses gestos. Assim, a dança serve como
um veículo para a preservação e transmissão da identidade cultural, enquanto a corporeidade age como o
recipiente que abriga essa rica herança.
Nesse encontro fascinante entre corpo e ancestralidade, somos lembrados da profundidade e complexidade da
experiência humana, enquanto perpetuamos a riqueza das nossas tradições através dos movimentos que ecoam
ao longo das gerações. Por isso a importância de valorizar e preservar as danças populares como formas ricas
de expressão cultural, que transcendem as fronteiras temporais e biológicas, unindo-nos à nossa história e
enriquecendo a diversidade cultural que molda nossa verdadeira identidade nacional.

Deise Lozano


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